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Boaventura
A terra do descanso
A freguesia da Boaventura há muito que é conhecida. No entanto, só a melhoria das acessibilidades veio permitir que deixasse de ser apenas um local de passagem. De passagem entre Ponta Delgada e o Arco de São Jorge.
Com um manto de verde a cobrir as suas encostas, que sobem e descem em toda a volta, e uma grande tranquilidade, Boaventura tem sido procurada precisamente pelo sossego que proporciona. Terá sido isso mesmo que fez o grande poeta português, Antero de Quental, na segunda metade do século XIX, ao passar uma temporada na freguesia. Pertenceu à chamada Geração de Setenta, grupo que pretendia renovar a mentalidade portuguesa, e participou nas Conferências do Casino. Foi amigo, entre outros, dos grandes escritores nacionais como Eça de Queirós e Oliveira Martins. As suas obras vão da poesia à reflexão filosófica.
Situada em terreno montanhoso, considerado por muitos como um autêntico santuário da natureza, Boaventura é caracterizada por surpreendentes vales, rasgados por vários cursos de água.
Assenta, por isso, a sua economia na Agricultura. E igualmente no pequeno comércio, serviços e no turismo.
Freguesia de temperaturas moderadas, Boaventura apresenta durante o Inverno temperaturas que não descem abaixo dos 13 graus. No Verão as temperaturas situam-se em redor dos 26 graus.
Em relação à origem do nome, não uma convergência de opiniões. Desde meados do século XVI, e ainda anteriormente a esta época, já a Boaventura conserva este nome.
Sabe-se que os terrenos que constituem a paróquia da Boaventura pertenceram, durante quase três séculos, à freguesia da Ponta Delgada, de onde foram desmembrados no ano de 1836.
Segundo rezam as crónicas, nos tempos primitivos da colonização, foi Pedro Gomes Galdo um dos povoadores que primeiro ali possuiu muitas terras de sesmaria, sendo considerado como um dos mais antigos colonizadores da freguesia.
Atribui-se a Pedro Galdo, ou a um dos seus descendentes, a fundação da capela de São Cristóvão.
Com o tempo, a população foi-se alargando pelas encostas. Estendeu-se pelo interior, onde, até não há muitos anos, vivia quase isolada de um mundo ali tão perto.
Boaventura conta com diversas levadas. Levadas como as da Achada Grande, a Levada Grande, que estende a sua irrigação até Ponta Delgada, a das Faias, a da Achada dos Alves e Pastel, e a da Achada ou do Serrão. Todas têm a sua origem na ribeira dos Moinhos.
Além disso, segundo o “Elucidário Madeirense”, na estrada que liga a freguesia com o Arco de S. Jorge, há uma parte que fica na margem direita da ribeira do Porco e sobranceira ao mar. Dá pelo nome de Engrosa, devido à sua construção em torcicolo na escarpa aprumada duma elevada rocha. E, segundo a respeitável publicação, é das fendas dessa rocha que nasce em abundância a planta conhecida pelo nome de Ensaião “Sempervivum glandulosum”, da família das “Crassulaceas”, de que William Longman no “Frazer's Magazine”, de Agosto de 1875, disse o seguinte: «...crescem com tanta profusão que umas se sobrepoem às outras e com desenvolvimento tal, que excedem tudo o que neste género se ve em Kew ou em outros jardins botânicos. As mais ordinárias excedem o tamanho de um chapéu. Na extremidade apresentam uma cor encarnado-castanho, com transição gradual para o centro de um verde claro».






